Denúncia e reflexão no Quarto de despejo

Material disponibilizado pelo site Letras da UFMG, de autoria de Elisângela Lopes. A produção escrita de Carolina Maria de Jesus pode ser lida e entendida como instrumento múltiplo. A autora fazia da palavra uma arma contra o preconceito, pois, quando era insultada pelos moradores da favela, respondia: “vou colocar isso no meu livro”. Nesse sentido, sua escrita funcionava ainda como uma tentativa de instaurar a ordem, mesmo que mínima, naquela terra de ninguém. Conforme ressalta Carlos Vogt (1983) os diários da escritora eram “uma espécie de livro de São Miguel, livro do juízo, onde ameaça anotar os comportamentos ‘errados’ de seus vizinhos”.. Nestes cadernos, Carolina descrevia o que presenciava pelas ruas de Canindé: as brigas, os assassinatos, a prostituição infantil, a miséria, a fome, o descaso social, enfim, a precariedade da vida.

ph-img-destacada