Resenhas – Balada de Amor ao Vento

Material disponibilizado pelo site Skoob, de autoria de Ana Sá, na área de Literatura Africana. “Balada de amor ao vento” (1990), romance de estreia da moçambicana Paulina Chiziane, anuncia com clareza a tríade que viria a marcar grande parte de sua obra: o ser mulher/ as relações de gênero, a poligamia e o colonialismo num Moçambique culturalmente diverso. Sarnau conhece Mwando ainda jovem. A partir de então eles viverão um romance de encontros e desencontros não só amorosos, mas culturais e religiosos. Sarnau, de início, vai nos mostrar como é ser a primeira esposa num regime poligâmico que segue os preceitos locais. Já Mwando, ao se casar com uma mulher que não corresponde ao comportamento feminino esperado e é imposto socialmente, nos apresenta os questionamentos identitários de um homem que tenta se situar num casamento fundado no patriarcalismo cristão. O que vem depois disso é spoiler, mas adianto que, num caso ou noutro, a narradora adverte: “com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura”.

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